Discurso

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19.01.2009

Presidente da Câmara dos Deputados

Deputadas, Deputados, meus amigos todos, eleitores e não eleitores. (Palmas.) Aproveito a manifestação do Plenário para dizer que agora não há eleitores e não eleitores, há Deputados do Poder Legislativo brasileiro. (Palmas.)

Meus amigos, eu sempre aprendi a distinguir muito bem, coisa que poucos fazem, entre o momento político eleitoral e o momento político administrativo. No momento político eleitoral que antecede a eleição há uma disputa, muitas vezes, acirrada, em que vez ou outra podem lançar-se algumas farpas, mas que são superadas pela consciência que temos todos de que quem é eleito representa a todos. O momento político administrativo é este que se inicia neste momento. Ainda agora, recebendo o afetuoso abraço do Deputado Ciro Nogueira, eu lhe disse: “Vou precisar muito da sua experiência e do prestígio que você tem com os colegas da Casa”. (Palmas.) E lanço a mesma mensagem ao colega Aldo Rebelo, (palmas) cujos méritos já exaltei, não preciso voltar a fazê-lo nesta segunda oportunidade.

Quero reiterar meu agradecimento a todos. Precisamente agora que fui eleito, confesso que, quando falava como candidato na tribuna, tive a tentação de dizer o que agora vou registrar, ou seja, que não sou um Deputado eleito pelo PMDB em favor do PMDB. (Palmas.) Sou um Deputado eleito Presidente pela Casa, integrada por vários partidos. Tenho a consciência absoluta do papel que a vida, muitas vezes, nos entrega. Ela já me entregou vários papéis: o de Secretário de Estado, Líder do partido, Presidente do partido, e hoje me entrega o papel de Presidente da Câmara dos Deputados. Eu quero representar este papel, e o farei com a dignidade que o cargo exige e comporta e que os 304 votos me autorizaram a assim me expressar. Quero dizer também – acho que o momento é oportuno – que vamos atravessar um biênio complicado. Não temos a menor dúvida de que o período não será fácil. Portanto, nós todos temos que nos fraternizar, a começar pelos Poderes do Estado. Legislativo, Executivo e Judiciário hão de atuar em estreita harmonia, porque acima de qualquer divergência está o interesse do País. Portanto, aqui, na Câmara dos Deputados, onde há Situação e Oposição, tenho certeza de que nós também nos vamos fraternizar.

Nós vamos exercitar a tarefa de conduzir os destinos desta Casa voltados, todos, para os problemas do País. Volto a dizer que a crise que se avizinha encontrará resistência no País, especialmente no Poder Legislativo. Em meu discurso como candidato, eu disse: Nós precisamos habilitar, trabalhar aqui na Câmara dos Deputados, para que possamos formular ideias que levem o País a enfrentar qualquer espécie de crise. Sabemos também – alguns dos colegas que comigo concorreram levantaram este dado – que temas como o da educação, da saúde e da segurança pública não serão tratados por nós, como muitas vezes o são durante as campanhas nas eleições, como temas eleitorais e, sim, como temas de interesse da sociedade brasileira. Por isso, a todos eles nós vamos nos dedicar. Quero registrar também que neste período nós vamos regulamentar toda a Constituição brasileira (palmas), um trabalho que se iniciou com o Presidente Arlindo Chinaglia, mas que, evidentemente, não pôde ser levado a cabo, até o final.

E, desde já, faço um parêntese, para colocar entre parênteses um dos aspectos mais importantes da minha manifestação: o elogio público que faço ao Presidente que deixa esta cadeira. (Palmas.) Arlindo Chinaglia soube comportar-se com muita dignidade, e nós todos sabemos como é difícil compor os interesses desta Casa. Apesar do seu jeito um pouco mais, digamos assim, objetivo, mais direto, de quem não costeia situações, o fato é que este objetivo direto, concreto, palpável, tem também uma virtude, a virtude de que palavra dada é palavra cumprida. (Palmas.)

Eu acho que o Presidente Arlindo merece de todos nós o reconhecimento de quem sai e deixa nesta cadeira uma responsabilidade muito grande, quanto a deixar um exemplo. Deixa a nós a responsabilidade de nos conduzirmos nos termos em que ele conduziu, mas deixa a todos do Parlamento a ideia de que é preciso acabar com essa história de acordos feitos não serem cumpridos. Acordos feitos pelas Lideranças, pelos partidos, pelas bancadas têm de vir para o plenário com o cumprimento absoluto entre todos os membros da Casa. É isso, meus senhores e minhas senhoras, que dá relevo, que dá tamanho, que dá dimensão à nossa instituição. Temos problemas urgentes pela frente – urgentes e ingentes -, mas não nos vamos atemorizar. Quando eventualmente tivermos que tomar medidas impopulares, quando vez ou outra a imprensa, irmã siamesa do Poder Legislativo… A todo momento costumo dizer que Legislativo forte é sinônimo de imprensa livre e imprensa forte (palmas) e que Legislativo fraco, Legislativo fechado é sinônimo de imprensa fraca, de imprensa desprestigiada, de imprensa que pode até ver calada sua voz, como aconteceu em muitos momentos da história do nosso País. Então, nós vamos, ao longo desse tempo, enfrentar grandes temas. Mas devo dizer, por mais críticas que muitas vezes se façam ao Poder Legislativo, à Câmara dos Deputados, que a dignidade, o tamanho, a estatura pessoal, política, administrativa, moral, a experiência daqueles colegas, homens e mulheres que aqui estão, espancarão qualquer dúvida a respeito da eventual inoportunidade de uma medida adotada pela Câmara dos Deputados. Quero, portanto, mais uma vez, agradecer o apoio, cumprimentar; não o fiz durante a minha fala como candidato, mas, às vezes, como diz o provérbio latino: “verba volant, scripta manent”, as palavras voam, os escritos permanecem.

Embora não tenha mencionado as mulheres – portanto, não verbalizei -, o fato é que já escrevi o meu compromisso com as colegas desta Casa de criar uma Procuradoria Parlamentar Feminina (palmas) e, mais, fazer com que uma representante da comunidade feminina tenha assento no Colégio de Líderes. (Palmas.) Parece pouco, mas é muito, tendo em vista que, embora tenhamos 46 Deputadas nesta Casa, o fato é que 50% do eleitorado brasileiro é feminino. De modo que, meus amigos e minhas amigas, V.Exas. hão de compreender que neste momento eu estou mais emocionado do que naquele: naquele eu estava assustado e emocionado, neste eu estou assustado e emocionado pela tarefa que vem pela frente. Não quero entrar em detalhes sobre o que vamos ou não fazer, porque será extremamente pretensioso.

Vamos ou não fazer aquilo que o Plenário desta Casa, pelas suas Lideranças, determinarem ao Presidente da Casa. (Palmas.) Mas quero registrar desde já que nós preservaremos a indenidade, a integridade do Poder Legislativo. O meu sonho é que, ao final deste mandato, que coincide, aliás, com as eleições ou reeleições que todos nós vamos enfrentar, eu possa sair daqui, que nós todos possamos sair daqui e passar, entrar em todos os lares e bares, em todos os campos e recantos, caminhar por todos os caminhos e escaninhos, entrar em qualquer aeroporto, ir ao nosso eleitorado e este nos dirigir a voz, nos cumprimentar e dizer: Deputado, parabéns pela sua conduta no Poder Legislativo nacional.

Muito obrigado a todos. (Muito bem. Palmas prolongadas.)

Não quero deixar de agradecer também às Lideranças partidárias e às bancadas que me apoiaram e de pedir-lhes que se irmanem com as Lideranças e bancadas que não nos apoiaram. Este é, digamos assim, o fecho final daquilo que eu gostaria de dizer.