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21.08.2017

Brasil e Paraguai: vizinhos, sócios e irmãos

O Brasil e o Paraguai são unidos por fortes laços humanos e profundos interesses comuns. São mais de 300 mil brasileiros vivendo no Paraguai. Compartilhamos 1.300 km de fronteiras. Construímos, juntos, uma das maiores usinas hidroelétricas do mundo. O Brasil é o principal destino das exportações do Paraguai e um dos maiores investidores no país. Somos sócios fundadores do Mercosul.

A esses traços, agrega-se, no momento atual, particular convergência de visões: levamos adiante, Brasil e Paraguai, agenda de modernização de nossas economias, de aprimoramento de nossos ambientes de negócios, sempre em favor do crescimento e da geração de empregos.

Nesta segunda (21), tenho a satisfação de receber em Brasília, em visita de Estado, o presidente do Paraguai, Horacio Cartes. Daremos continuidade a nosso diálogo pragmático. Trataremos de fortalecer nossa cooperação naqueles temas que dizem respeito mais diretamente ao bem-estar de nossos povos: qualidade de vida nas fronteiras, segurança pública, comércio e investimentos.

É ao longo de uma fronteira densamente povoada que temos constituído, geração após geração, vínculos fraternais entre nossa gente. Atentos para legítimas demandas em ambos os lados da fronteira, queremos, cada vez mais, facilitar o dia a dia dos que vivem a vida entre os dois países.

As fronteiras são espaço de desenvolvimento, mas também encerram desafios que exigem respostas articuladas. O maior deles é a atuação, nas zonas limítrofes, do crime organizado, que aflige nossas famílias, que põe em risco nossos jovens.

Neste mês, adotamos medida para intensificar nossos esforços conjuntos contra essa ameaça. A Polícia Federal e a Secretaria Nacional Antidrogas, do Paraguai, assinaram termo de cooperação que lhes permitirá dar combate mais eficiente ao narcotráfico e aos chamados crimes conexos -tráfico de armas e pessoas, lavagem de dinheiro, contrabando.

Nossas forças policiais receberão treinamento comum e promoverão operações coordenadas. Assim tem que ser, pois o crime não conhece limites. Em Brasília, cuidaremos de avaliar os resultados obtidos até aqui, com vistas a garantir a eficácia das ações futuras.

Outra dimensão da visita do presidente Cartes é econômica. Em 2017, já verificamos a retomada do intercâmbio comercial, reflexo, em larga medida, da recuperação da economia brasileira. Essa é tendência que será confirmada pelas reformas estruturais que continuaremos empreendendo no Brasil. Ao mesmo tempo, diante do crescimento sustentado no Paraguai, mais de 80 empresas brasileiras se instalaram no país nos últimos três anos, com investimentos diretos superiores a US$ 200 milhões.

Conquista histórica de nossos países, o Mercosul dá contribuição fundamental para aumentar nosso comércio, para dinamizar nossos investimentos. Sob a presidência brasileira do Mercosul, estamos avançando no resgate do projeto original de um bloco voltado para a efetiva integração econômica.

Seguimos empenhados na eliminação de barreiras e na conclusão de acordo de compras governamentais. Na frente externa, entramos em fase decisiva nas negociações com a União Europeia.

E não é só na vertente econômica que o Brasil e o Paraguai, ao lado da Argentina e do Uruguai, estamos recobrando o espírito original do Mercosul. Democracia e direitos humanos também voltaram a definir a identidade de nosso bloco.

Ao suspender a Venezuela, ao amparo do Protocolo de Ushuaia, a mensagem é clara: não mais se admitem, em nossa região, rupturas da ordem democrática.

Democracia, prosperidade, segurança, integração. Essa é a agenda que une brasileiros e paraguaios; essa é a agenda que marca a visita do presidente Cartes ao Brasil.

 

Artigo publicado no dia 21 de agosto de 2017, pelo jornal Folha de São Paulo.