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O que dizem os vídeos do PMDB: o partido vai ter candidato, e este defenderá legado de Temer

Blog - Reinaldo Azevedo

17.11.2017

Começaram a ser veiculadas nesta quinta as inserções de 30 segundos a que o PMDB tem direito no horário político. No dia 28, vai ao ar o programa de 10 minutos. Assisti aos 11 filmetes. Não sei, não… Tenho a impressão de que erram os que apostam que o partido ficará como mero caudatário das ambições alheias na eleição de 2018, dependente da “boa-vontade de estranhos”, como disse aquela. Ainda que a legenda seja um navio grande e diverso que o fim da ditadura na República ancorou, é claro que ele tem o grupo dirigente, que orbita, sim, em torno do presidente Michel Temer. Como é o PMDB, pode-se falar em 50 tons de fidelidade. Uma coisa é certa: infiéis como os senadores Renan Calheiros (AL) e Roberto Requião (PR) não deram as caras. O partido ocupa o horário político para fazer a defesa da gestão Temer e da figura pública do presidente, mas também fala de futuro.

A legenda que se mostra não ficará a implorar a boa vontade de PSDB ou de qualquer outra sigla. Esta que aparece na televisão, se preciso, articulará uma candidatura própria para tratar do seu legado. “Mas e as dissidências? E os que não se sentirem à vontade com essa abordagem?” Ora, desde quando isso foi um problema no partido? Serão sempre o “PMDB do B”, o “PMDB do C”, o “PMDB do D”, do X, do Z. O grupo que controla o tempo na propaganda eleitoral e que vai distribuir a verba de campanha do tal fundo — ainda que, na prática, irrisória, é este que responde por essa propaganda. E esse é o PMDB afinado com o presidente.

Os filmes são sóbrios, destacam as qualidades do governo, mas evitam o tom laudatório. Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado, elogia o diálogo com o Congresso, o que permitiu, diz, arrumar a economia. A também senadora Marta Suplicy (SP) diz que a crise está ficando para trás e atribui o mérito a Temer. Romero Jucá (RR), líder do governo na Casa, lista outros indicadores positivos da economia para resumir: “O Brasil está de pé”. Tereza Jucá, prefeita de Boa Vista pela quinta vez, aponta um presidente que “soube vencer as armações. Fátima Pelaes, presidente do “PMDB Mulher” fala abertamente na “trama armada” contra o chefe do Executivo por “trapaceiros e trapalhões”. Num painel ao fundo, as respectivas imagens de Joesley Batista e Ricardo Saud.

Num vídeo que abre com a palavra “Trama”, que se esfarela no ar, afirma uma voz em off: “Tentaram derrubar o presidente, mas o Brasil está em pé.” Aí é a vez de uma apresentadora resumir: “Em pouco mais de um ano e meio de governo Temer, o Brasil retomou o caminho do crescimento. A inflação caiu, os juros baixaram, as ofertas de emprego subiram, e seu poder de compra aumentou. Isso não dá para negar. Já está mais barato para comer, para vestir, para morar. Já está mais barato para viver. E a sua vida vai melhorar cada vez mais. Porque agora é avançar”.

Outra inserção retoma o tema da “trama”. Afirma a apresentadora: “Entre todas as perseguições feitas contra o presidente Temer, houve uma que foi além, ultrapassou todos os limites.” Obviamente, faz-se referência ao que chamo holding “JJ&FF”: Janot, Joesley, Fachin e Funaro.  Mas, anuncia-se, ela foi desmontada. E aí é a vez de o próprio Temer aparecer. Diz: “A verdade é libertadora. E não só nos livra das injustiças como nos dá mais força, vontade e coragem para seguir em frente. É isso o que vamos fazer com muita convicção. Porque agora é avançar”.

Um dos vídeos confronta para valer o denuncismo janotista. Aparece ao fundo uma reportagem, com a fotografia do então procurador-geral, que traz no título uma fala de Joesley, registrada nas gravações involuntárias: “Eles querem f… o PMDB”. Na sequência, sucedem-se fotos de momentos históricos protagonizados por Ulisses Guimarães, Teotônio Vilela, campanha das diretas, promulgação da Constituinte, Tancredo Neves e Michel Temer. Diz a voz em off: “Nada nem ninguém pode acabar com 50 anos de luta, cinco décadas de história. Meio século de conquistas. Mais do que um partido, somos uma força, um ideal, um movimento, que faz o Brasil seguir em frente. Você que é o PMDB, que faz o PMDB, venha, vamos juntos, não temos tempo a perder nem outro caminho a seguir.” Uma das fotografias da década de 80 junta FHC, Franco Montoro e Temer, então quase estreante na política.

Numa clara alusão ao PT, o vídeo “Tiramos o país do vermelho” destaca queda da inflação, queda de juros, crescimento da produção industrial, aumento do emprego. Uma das peças apenas confronta números, com dados de 2016, ainda sob os auspícios do governo petista, e de 2017. Antes recessão, agora crescimento. A inflação caiu de quase 10% para menos de 3%; a produção agrícola saltou de 185 milhões de toneladas para 242 milhões de toneladas. E a conclusão: “Tiramos o país do vermelho. Parabéns pra você”.

E há, finalmente, o filme que resume os ciclos históricos de que o PMDB foi protagonista, sempre empregando a palavra “movimento”: contra a ditadura, a favor das diretas, pela Constituinte, pelos avanços sociais. E aparece, então, a imagem de Temer: “E, agora, é movimento pelas reformas. Pelo visto, o movimento não para. Partido do Movimento Democrático Brasileiro. PMDB! O Brasil segue em frente”.

Ah, é verdade. O PMDB não foi se chicotear no ar, como fez o PSDB, que convidou o tucanismo a fazer mea-culpa pela tucanagem… Nesse sentido, podem chamar as inserções peemedebistas de omissas. Mas, ora vejam, não se veiculou uma só mentira. E, se querem saber, ainda faltam conquistas que ali não estão listadas. Talvez fiquem para o programa de 10 minutos: controle de gastos, mudança do pré-sal, reforma do ensino médio, reestruturação do setor elétrico…

Estamos como naquela máxima: quem disser que sabe o que vai acontecer é porque está mal informado. Hoje, como fotografia do momento, dá para assegurar: o partido terá candidato à Presidência da República, este vai defender o legado do presidente Michel Temer como precondição para o avanço do país.