Voltar

Melhorou ou não? Empresas e consumidores avaliam o cenário econômico do 3º trimestre

G1

01.12.2017

No terceiro trimestre, a economia continuou crescendo, como mostraram nesta sexta-feira (1) dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística. Os sinais de uma recuperação econômica, ainda que tímida, já aparecem nos balanços divulgados por diversas empresas no terceiro trimestre. Consumidores ouvidos pelo G1 também dizem que sentiram alguma mudança na economia, embora ainda sintam reflexos da crise.

Os brasileiros gastaram mais no terceiro trimestre e influenciaram positivamente o crescimento da economia. O consumo das famílias, que possui um peso importante na composição do PIB, subiu 1,2% nos últimos três meses.

As vendas no Magazine Luiza, por exemplo, aumentaram 27% no terceiro trimestre, puxando um lucro recorde no período. “Dá para cravar que a recessão acabou. O consumo represado significa muita gente voltando a comprar”, disse o presidente da empresa, Frederico Trajano, na teleconferência de divulgação de resultados.

Na Multiplan, que administra 19 shopping centers no país, as vendas subiram pela primeira vez desde 2014. O avanço foi de 7,3%, ajudando a empresa a fechar o período com lucro de R$ 75,5 milhões. “O aumento [das vendas] foi influenciado pela gradual recuperação econômica do país, e alavancado pela queda dos indicadores nacionais de inflação”, disse a empresa no balanço.

Além do balanço das empresas, o comércio informal também sentiu uma retomada do consumo. O ambulante Josivaldo Nunes Cardoso, de 40 anos, disse que as vendas melhoraram. “Antigamente o pessoal não confiava muito para comprar, e agora senti que isso está melhor”, avalia.

Entre os que voltaram a comprar está o assistente de logística Davi Frizzo Guimaraes, de 28 anos. “Consegui trocar de carro e de moto devido a um aumento no meu salário, além dos preços mais estáveis”, comemora.

Para o instalador de telefonia João Carlos Matos, de 41 anos, a economia não mudou muito. Mas ele admite que tem consumido mais e passeado com o filho e a esposa com mais frequência do que no ano passado.

“Consigo comprar um pouco mais, uma roupinha para o meu filho, por exemplo. Vamos ao shopping ver um filme, ao parque”, lista João Carlos.

Cenário ainda é desafiador

Apesar de os dados mostrarem uma retomada da economia, nem todos sentem que o cenário melhorou. Algumas empresas ainda ressalvam que o cenário é desafiador e trava as vendas.

O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, disse que “o alto desemprego e o fraco nível de consumo no Brasil desafiam a retomada do setor varejista”, apesar de ter lucrado e reportado crescimento de 8,1% nas vendas contra o terceiro trimestre de 2016.

Também há quem duvide da melhora da economia entre os consumidores. É o caso da agente de limpeza Josineide Costa de Oliveira, de 46 anos. Ela acredita que as coisas estão caras e, por isso, ainda compra menos do que antes da crise. “Não melhorou nada. Tenho comprado menos, os preços continuam altos”, reclama Josineide.

A vendedora Adriana Vitorano, de 34 anos, também não sentiu melhora. “As pessoas estão comprando menos. Como eu trabalho com comissão, meu salário diminuiu”, queixa-se.

Emprego informal

No terceiro trimestre de 2017, a taxa de desemprego no país chegou a 12,4% – a menor do ano, segundo dados do IBGE. A taxa representa uma redução na comparação com o trimestre anterior, mas ao mesmo tempo uma elevação na comparação com 2016.

O nível de emprego da economia é um dos fatores que mais influencia no consumo das famílias. Na família de Josineide, a comemoração do momento é a conquista de sua cunhada, que conseguiu um emprego como agente de limpeza após um ano de procura. “Ela está bem empolgada”.

O desemprego, no entanto, ainda atinge quase 13 milhões de brasileiros. E, muitos dos que voltaram a trabalhar estão na economia informal e ainda procuram emprego com carteira assinada.

O ambulante Josinaldo segue na busca por um trabalho com carteira assinada. “Continuo procurando emprego. Mandei um monte de currículo, mas chamar que é bom, nada.”

Inadimplência recua

Durante a crise, o número de brasileiros endividados aumentou bastante. Agora, aos poucos, a inadimplência vem caindo. Os resultados dos bancos no terceiro trimestre mostraram uma queda nas taxas de inadimplência, o que reduziu as despesas dos bancos com provisão para devedores duvidosos – o dinheiro que o banco separa para cobrir eventuais calotes.

“Temos os indicadores de qualidade de crédito e a gente pode observar a estabilidade dos nossos índices de inadimplência consolidados”, afirmou o presidente do Itaú, Candido Bracher, após a divulgação do resultado do terceiro trimestre. O Itaú Unibanco teve aumento de quase 13% nos lucros, para R$ 6,1 bilhões.

A auditora de shopping Daniele de Andrade Sales, de 21 anos, se livrou de uma dívida de cartão de crédito nos últimos meses. Agora está com as contas em dia e pode voltar a consumir.

“Eu tinha muitos parcelamentos e perdi um pouco o controle da situação. Mas foram meses de sacrifício e consegui pagar. Agora estou comprando mais”, relata a consumidora, aliviada.