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Atraso na aprovação da reforma da Previdência prejudica especialmente os mais jovens

Míriam Leitão - O Globo

25.09.2017

A reforma da Previdência não é a pauta de um governo. O encontro com ela está marcado. Em conversas, no entanto, o Planalto e sua base admitem que hoje não há votos para aprovar uma mudança nas regras. Quanto mais tempo demorar, mais peso os jovens terão que carregar no futuro para equilibrar o sistema.

A mudança não pode ser evitada. Em Brasília, alguns sugerem que a tarefa fique para o próximo governo, que terá mais credibilidade após a chancela das urnas. Isso significaria uma espera de dois anos, talvez. Nesse período, muita coisa pode acontecer. O país já está com a dívida pública alta, que cresce mês a mês com o déficit fiscal elevado provocado, em grande parte, pelo rombo na Previdência.

A proposta atual já prevê um longo período de transição, de duas décadas, para a implantação da idade mínima de 65 anos para os homens e 62 para mulheres. Mas na conta dos políticos entra a baixa popularidade do governo. O Planalto teria que fazer muitas concessões para convencer os parlamentares a aprovar uma pauta como essa.

A demora na aprovação atinge especialmente os jovens. O atraso piora o desequilíbrio do sistema, que hoje é insensato e concede benefícios demais a pessoas que permanecerão por longos períodos como aposentadas. Essa conta será paga pelos trabalhadores que estão entrando no sistema. Isso prejudicaria o futuro do país. A capacidade financeira das novas gerações ficaria comprometida. Tendo que pagar a conta da Previdência, os mais jovens terão dificuldades para realizar seus próprios projetos.