Voltar

Ações brasileiras têm a melhor abertura em mais de uma década

Financial Times

13.01.2017

O Brasil pode estar atolado em sua pior recessão em mais de um século, e ainda sofrer a ignomínia de ter sua dívida soberana classificada como “lixo” pelas três principais agências de classificação de crédito. Mas isso tem feito pouco para impedir que os investidores se empilhem em ações brasileiras, destaca reportagem analítica assinada por Pan Kwan Yuk no site do Financial Times. O índice Bovespa está tendo seu melhor início para um ano em mais de uma década. Depois de encerrar o ano passado 39% mais alto (ou 69% mais alto em termos de dólar, graças ao rally monstruoso do real contra o dólar), a Bovespa sobrepõe outros 6,1% até agora em 2017. Isso faz com que seja o melhor início do índice desde 2006, quando o Brasil estava no auge do boom mundial de commodities. Alguns dos rali em curso podem ser chamados até a recente recuperação dos preços globais das commodities e o real, bem como um otimismo cauteloso sobre o novo governo do País, “amigo do mercado”.

Nesta quinta-feira, a Bovespa subiu 2,4% – tornando-se um dos poucos índices de ações importantes para avançar – depois que o Banco Central brasileiro fez a movimentação audaciosa na noite passada de cortar sua taxa de juros por um enorme 75 pontos base para 13%. “A flexibilização agressiva será bem recebida por corporações e famílias que continuam a se esforçar sob altos encargos do serviço da dívida”, disse Craig Botham, economista de mercados emergentes da Schroders. Geoff Dennis, estrategista de ações da UBS, avalia: “Os negativos aumentaram com a nova turbulência política que ameaçava a agenda de reforma e os dados macro sugerindo um saldo do PIB muito fraco”, disse ele. “No entanto, o caso de mais otimismo em 2017 é que as taxas de juros caem em 300bp + em 2017 para 10,5%, e esperamos que o Real chegue a R$ 3,00 no final do ano, já que as condições de liquidez global oferecem suporte”.